Esse ano eu virei jornalista
Sem diploma, mas de alma
Acima de qualquer coisa
Eu virei jornalista
De caneta na mão
E pergunta na ponta da língua
Eu virei jornalista de coração
De subir favela
Na paz ou na guerra
Eu virei jornalista
Contadora de histórias
E muitas vezes ouvidoria
Eu vi gente morta
Sendo enterrada
E me envolvi
Eu vi gente feliz
E sorri
Eu vi lugares belos
E lugares podres
Eu virei jornalista
De virar madrugada na redação
De desejar um chopp ao fim do dia
Eu vi gente perdendo
Gente vencendo
Eu virei jornalista
De alma, de peito
Respeitada e elogiada
Muitas vezes criticada
Não importa
Eu virei jornalista
Tá feito.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Ele merece
Acabo de voltar de uma pauta, na Barra da Tijuca. Quem guiava o carro era o novo motorista do jornal, *Fransisco - A figura do século! Na verdade, é muito difícil escolher, entre todos eles, o mais sensacional. Tem o mais calado, o mais profissional, o motorista metido a repórter, o metido a fotógrafo, o que não conhece os caminhos, o que sabe todos, o que não cala a boca, o que escuta as piores músicas, o que escuta as melhores, o que corre, o lerdo e etc... Tem de tudo que é jeito! E olha, vou te falar uma coisa: Eles têm é história! Dava uma matéria mole, mole.
Mas voltando ao Fransisco... Este concorre sériamente ao prêmio de Figuraça da direção. Para começar, uma frase:
- Aí, se a gente encostar nesse fusca pega tétano! - (continuação...) - Porra velha! Vou falar logo que eu gosto de carro novo. Essas porras velhas aí não servem pra nada! Meu carro, eu acabo de pagar, já tô pegando outro. Gosto é de carro novo!
Vamos ao segunto ato.
Com Zeca Pagodinho rolando no som, às alturas, hei que Fransisco se empolga:
- Aí, essas porras dessas letras são boladas né não? Caralho cara, como é que o cara bola uma porra dessas? Fico bolado! Porra meu irmão! O Zeca conta que tá lá, tranquilão na dele, quando de repente pega o papel e caneta e começa... Ah não! Essas porras eu não entendo não! A letra é foda!
Dois segundos depois, ao olhar para a cara dele no retrovisor, ao som de "minha dispensa tá vazia", vejo o sorriso e mais uma vez ele solta:
- Aí, dá para entender essa porra não! Olha a letra!
Bom, acho que não preciso nem dizer que nesse momento eu já estava com dor de barriga de tanto rir. Eu e o fotógrafo, que ria e concordava com tudo que Fransisco dizia.
No terceiro ato, para fechar com chave de ouro, Fransisco nos conta sobre seu lazer no fim de semana:
- Aí, pego minha mulé e meus filhos, vamô tudo pra praia da Barra! A gente passa no mercado compra umas 12 cervejinhas, uns refrigerantes, faz uns sanduíches pros muleks - sanduíche de qualquer coisa com maionese! Manteiga com maionese, qualquer merda! - fica lá o dia todo pegando um bronze. Depois se perguntarem onde tu foi, tu ainda tira onda né não?? Fui na praia da Barra amigo! Só não precisa contar que levou o lanche todo na mala! hehehehe - concluiu Fransisco, se achando O malandro.
Agora me diz, tá ou não tá concorrendo ao prêmio?? Meu voto ele já tem.
Mas voltando ao Fransisco... Este concorre sériamente ao prêmio de Figuraça da direção. Para começar, uma frase:
- Aí, se a gente encostar nesse fusca pega tétano! - (continuação...) - Porra velha! Vou falar logo que eu gosto de carro novo. Essas porras velhas aí não servem pra nada! Meu carro, eu acabo de pagar, já tô pegando outro. Gosto é de carro novo!
Vamos ao segunto ato.
Com Zeca Pagodinho rolando no som, às alturas, hei que Fransisco se empolga:
- Aí, essas porras dessas letras são boladas né não? Caralho cara, como é que o cara bola uma porra dessas? Fico bolado! Porra meu irmão! O Zeca conta que tá lá, tranquilão na dele, quando de repente pega o papel e caneta e começa... Ah não! Essas porras eu não entendo não! A letra é foda!
Dois segundos depois, ao olhar para a cara dele no retrovisor, ao som de "minha dispensa tá vazia", vejo o sorriso e mais uma vez ele solta:
- Aí, dá para entender essa porra não! Olha a letra!
Bom, acho que não preciso nem dizer que nesse momento eu já estava com dor de barriga de tanto rir. Eu e o fotógrafo, que ria e concordava com tudo que Fransisco dizia.
No terceiro ato, para fechar com chave de ouro, Fransisco nos conta sobre seu lazer no fim de semana:
- Aí, pego minha mulé e meus filhos, vamô tudo pra praia da Barra! A gente passa no mercado compra umas 12 cervejinhas, uns refrigerantes, faz uns sanduíches pros muleks - sanduíche de qualquer coisa com maionese! Manteiga com maionese, qualquer merda! - fica lá o dia todo pegando um bronze. Depois se perguntarem onde tu foi, tu ainda tira onda né não?? Fui na praia da Barra amigo! Só não precisa contar que levou o lanche todo na mala! hehehehe - concluiu Fransisco, se achando O malandro.
Agora me diz, tá ou não tá concorrendo ao prêmio?? Meu voto ele já tem.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Trabalho de equipe
O jornal onde trabalho já foi um grande jornal, o maior do país. Hoje, infelizmente, é um pequeno jornal, com uma pequena equipe e uma pequena estrutura. A imprensa toda, não só nós funcionários, lamenta muito o abandono deste tradicional veículo. Eu, como todos, também lamento, mas sempre digo para meus colegas de trabalho que de todos eles eu sou a menos prejudicada. Pelo contrário, sou beneficiada. Como estagiária é muito bom passar perrengues e ter a oportunidade de cobrir fatos que jamais cobriria em um grande jornal, onde estagiário é estagiário. Aqui, a diferença entre eu e o repórter (além de um texto bem melhor e muito mais jogo de cintura para muitas coisas. A boa e velha experiência...) é, basicamente, o salário.
Nos últimos dias, o Rio sofreu com uma chuva torrencial. Para piorar, a 2a maior via da cidade, o Túnel Rebouças, foi fechado devido um deslizamento de mais de 7 mil toneladas de terra. Ou seja, o trânsito está um caos, muitos acidentes, desabamentos, desalojados, uma verdadeira loucura! Em meio a tanta chuva, muitos não vão trabalhar... Mas essa é a hora do trabalho para nós. Lá fui eu para o Túnel Rebouças. Um dia inteiro de plantão, em pé, na chuva, assistindo aquela chuva de terra. Parece péssimo né? Mas não é... É cansativo, bem cansativo. Minha coluna dói muito até agora. Mas os coleguinhas são coleguinhas e são divertidos.
Mas o que fez tudo isso valer mesmo a pena foi abrir o jornal no dia seguinte e ver o trabalho que uma equipe de apenas 5 repórteres conseguiu fazer. Nossa! Quanto orgulho! O jornal onde trabalho, aquele que todos enchem a boca para dizer que hoje é um "jornalzinho" perto do que já foi, fez a melhor cobertura do dia de caos no Rio de Janeiro. Até ligação de ex-chefe nós recebemos para ouvir elogios.
Fiquei emocionada e muito feliz de fazer parte de tudo isso. Sinto que levarei, acima de qualquer coisa, muito orgulho ao cruzar a porta para não voltar...
Nos últimos dias, o Rio sofreu com uma chuva torrencial. Para piorar, a 2a maior via da cidade, o Túnel Rebouças, foi fechado devido um deslizamento de mais de 7 mil toneladas de terra. Ou seja, o trânsito está um caos, muitos acidentes, desabamentos, desalojados, uma verdadeira loucura! Em meio a tanta chuva, muitos não vão trabalhar... Mas essa é a hora do trabalho para nós. Lá fui eu para o Túnel Rebouças. Um dia inteiro de plantão, em pé, na chuva, assistindo aquela chuva de terra. Parece péssimo né? Mas não é... É cansativo, bem cansativo. Minha coluna dói muito até agora. Mas os coleguinhas são coleguinhas e são divertidos.
Mas o que fez tudo isso valer mesmo a pena foi abrir o jornal no dia seguinte e ver o trabalho que uma equipe de apenas 5 repórteres conseguiu fazer. Nossa! Quanto orgulho! O jornal onde trabalho, aquele que todos enchem a boca para dizer que hoje é um "jornalzinho" perto do que já foi, fez a melhor cobertura do dia de caos no Rio de Janeiro. Até ligação de ex-chefe nós recebemos para ouvir elogios.
Fiquei emocionada e muito feliz de fazer parte de tudo isso. Sinto que levarei, acima de qualquer coisa, muito orgulho ao cruzar a porta para não voltar...
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Disque-denúncia
Eu tenho um telefone na minha mesa - muita gente acha isso o máximo - e ele não pára. Nem sempre é para mim. Muitas vezes são ligações para meus coleguinhas e muitas vezes são as denúncias. Denúncias de todo o tipo. Tem gente que acha que o Jornal pode resolver todos, mas todos os problemas do mundo!
Fila de banco: ligam e reclamam da fila e querem que eu publique que isso é um absurdo!
Trânsito: Querem que eu denuncie o trânsito infernal da rua onde moram!
Hospital: Denúncias e mais denúncias.
Claro que muitas delas são válidas, mas tem umas... Bom, eu vou direto ao ponto. Outro dia, estou eu NO FECHAMENTO (pior hora do dia para me ligar), toca o telefone:
Eu - JB?
Outro - Olá, eu gostaria de fazer uma denúncia.
Eu - Sim?
Outro - Bom, eu moro em Copacabana ao lado de uma lojinha de produtos típicos mineiros. Doce de leite, todos os tipos de comidinhas sabe?
Eu- Sei...
Outro - Acontece que no início do ano colocaram uma vaca lá na porta. Era linda a vaca! Levei meus filhos para tirar foto, a vizinhança toda se apegou a vaquinha. Até que a prefeitura veio, notificou, multou a loja e apreendeu a vaquinha.
Eu- Vaca viva?
Outro - Não senhora. Vaca igual essas todas que estão espalhadas pela cidade. O que eu queria é que a senhora fizesse uma matéria perguntando ao senhor prefeito qual sentido tem nisso? Ele multa a loja, tira a vaca e agora espalha mais de 100 vacas pelas calçadas da cidade! Não dá pra entender...
Eu -( ?????rsrsrsrs) Ok. Eu vou apurar o caso.
Outro - Obrigado e boa noite.
Eu - De nada. Boa noite.
Entre essas e outras, eu dou boas gargalhadas... Que venham as denúncias!
Fila de banco: ligam e reclamam da fila e querem que eu publique que isso é um absurdo!
Trânsito: Querem que eu denuncie o trânsito infernal da rua onde moram!
Hospital: Denúncias e mais denúncias.
Claro que muitas delas são válidas, mas tem umas... Bom, eu vou direto ao ponto. Outro dia, estou eu NO FECHAMENTO (pior hora do dia para me ligar), toca o telefone:
Eu - JB?
Outro - Olá, eu gostaria de fazer uma denúncia.
Eu - Sim?
Outro - Bom, eu moro em Copacabana ao lado de uma lojinha de produtos típicos mineiros. Doce de leite, todos os tipos de comidinhas sabe?
Eu- Sei...
Outro - Acontece que no início do ano colocaram uma vaca lá na porta. Era linda a vaca! Levei meus filhos para tirar foto, a vizinhança toda se apegou a vaquinha. Até que a prefeitura veio, notificou, multou a loja e apreendeu a vaquinha.
Eu- Vaca viva?
Outro - Não senhora. Vaca igual essas todas que estão espalhadas pela cidade. O que eu queria é que a senhora fizesse uma matéria perguntando ao senhor prefeito qual sentido tem nisso? Ele multa a loja, tira a vaca e agora espalha mais de 100 vacas pelas calçadas da cidade! Não dá pra entender...
Eu -( ?????rsrsrsrs) Ok. Eu vou apurar o caso.
Outro - Obrigado e boa noite.
Eu - De nada. Boa noite.
Entre essas e outras, eu dou boas gargalhadas... Que venham as denúncias!
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Uma prosa das boas
Pela primeira vez, eu senti medo... Muito medo de entrevistar alguém. O nome dela é Vó Lucíola e ela tem 107 anos. Uma vez, um amigo me contou de uma entrevista com ela. Me falou sobre a magia de estar na casa da moradora mais antiga do Morro da Mangueira e dos encantos de uma velhinha de mais de 100 anos que sabe tudo de tudo e conversa sobre tudo de tudo. Uma mulher que foi amiga de Cartola, Dona Zica, Jamelão, entre outros...
Ao desligar o telefone com Nega, neta de Vó Lucíola, com tudo marcado, meu coração disparou, minha mão suou e eu tive vontade de dar um grito! Eu estava muito feliz de ter conseguido, depois de uma semana de tentativas e insistência. Mas em seguida veio o sentimento de medo... Muito medo. Fiquei imaginando aquela "entidade" sentada à minha frente, com aquele monte de histórias pra contar. Uma mulher com 107 anos nas costas... Me senti muito pequena diante de tanta sabedoria. Nesta noite, tive um pesadelo: Ia entrevistar Vó Lucíola, que não era Vó Lucíola e que não foi nada simpática e eu me irritei e briguei com todo mundo... Bom... Se tratava de um sonho bem maluco e carregado de todas as expectativas que estavam comigo naquela noite. Acordei bem assustada. Li um livro e voltei aos bons sonhos.
No dia seguinte, lá estava eu... Subindo o Morro da Mangueira e entrando na casa da velhinha centenária... Ao sentar a sua frente, e começar o bate-papo, fui trasnportada para um outro plano. Aquela casinha, aquela senhora, aqueles objetos... Vó Lucíola começou a me contar sobre seus pais e quando chegou na Mangueira, aos 11 meses de idade. Falou sobre ser chapeleira, parteira e lavadeira. Falou de Jamelão cachaçeiro, de Cartola - que quando chegou na Mangueira já estava tudo pronto! (hhahaha- Essas foram suas palavras) - de seu marido e único amor. Falou do carnaval e de seus bonecos de estimação - Edmilson, que era branquinho e ficou pretinho com o tempo - falou de seu cachimbo e sua caneca de vinho. De criar porcos em casa e de sua única amiga verdadeira, já falecida. Vó Lucíola é sorridente e cheia das ironias. Eram poucas as respostas dela que não me arrancavam exaltadas gargalhadas.
A fotógrafa pediu para que ela acendesse seu cachimbo para umas fotos. Ela o fez: com muita maestria ajeitou o fumo acendeu o fósforo e pronto... Lá estava ela exalando uma magia que eu nem sei bem explicar. Aquela velhinha, sentada na poltrona, ao lado de Edmilson, fumando seu cachimbo em meio as gargalhadas e tossidas - uma cena que jamais sairá de minha memória.
Ao sair, ela reclamou e pediu que eu ficasse mais. Afinal, ela gosta de "prosear" (hahaha). Mas eu tinha hora e a vida segue... Infelizmente. Ao sair de sua casa e descer o morro da mangueira, esbarrei nas várias crianças eufóricas em dia de são Cosme e Damião e senti uma paz... Como se a vida fizesse todo o sentindo que nunca pareceu fazer pra mim. O jornalismo tem dessas coisas - tem dias que a vida não faz nenhum sentido, em outro faz tanto... Que dá vontade de viver mais de cem anos...
Ao desligar o telefone com Nega, neta de Vó Lucíola, com tudo marcado, meu coração disparou, minha mão suou e eu tive vontade de dar um grito! Eu estava muito feliz de ter conseguido, depois de uma semana de tentativas e insistência. Mas em seguida veio o sentimento de medo... Muito medo. Fiquei imaginando aquela "entidade" sentada à minha frente, com aquele monte de histórias pra contar. Uma mulher com 107 anos nas costas... Me senti muito pequena diante de tanta sabedoria. Nesta noite, tive um pesadelo: Ia entrevistar Vó Lucíola, que não era Vó Lucíola e que não foi nada simpática e eu me irritei e briguei com todo mundo... Bom... Se tratava de um sonho bem maluco e carregado de todas as expectativas que estavam comigo naquela noite. Acordei bem assustada. Li um livro e voltei aos bons sonhos.
No dia seguinte, lá estava eu... Subindo o Morro da Mangueira e entrando na casa da velhinha centenária... Ao sentar a sua frente, e começar o bate-papo, fui trasnportada para um outro plano. Aquela casinha, aquela senhora, aqueles objetos... Vó Lucíola começou a me contar sobre seus pais e quando chegou na Mangueira, aos 11 meses de idade. Falou sobre ser chapeleira, parteira e lavadeira. Falou de Jamelão cachaçeiro, de Cartola - que quando chegou na Mangueira já estava tudo pronto! (hhahaha- Essas foram suas palavras) - de seu marido e único amor. Falou do carnaval e de seus bonecos de estimação - Edmilson, que era branquinho e ficou pretinho com o tempo - falou de seu cachimbo e sua caneca de vinho. De criar porcos em casa e de sua única amiga verdadeira, já falecida. Vó Lucíola é sorridente e cheia das ironias. Eram poucas as respostas dela que não me arrancavam exaltadas gargalhadas.
A fotógrafa pediu para que ela acendesse seu cachimbo para umas fotos. Ela o fez: com muita maestria ajeitou o fumo acendeu o fósforo e pronto... Lá estava ela exalando uma magia que eu nem sei bem explicar. Aquela velhinha, sentada na poltrona, ao lado de Edmilson, fumando seu cachimbo em meio as gargalhadas e tossidas - uma cena que jamais sairá de minha memória.
Ao sair, ela reclamou e pediu que eu ficasse mais. Afinal, ela gosta de "prosear" (hahaha). Mas eu tinha hora e a vida segue... Infelizmente. Ao sair de sua casa e descer o morro da mangueira, esbarrei nas várias crianças eufóricas em dia de são Cosme e Damião e senti uma paz... Como se a vida fizesse todo o sentindo que nunca pareceu fazer pra mim. O jornalismo tem dessas coisas - tem dias que a vida não faz nenhum sentido, em outro faz tanto... Que dá vontade de viver mais de cem anos...
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Mais uma vaga
Em qualquer trabalho tem aqueles por quem temos mais carinho, ou aqueles com quem temos maior afinidade. E em qualquer trabalho, muitos vão embora e deixam saudades. Outros deixam alívio. Em um trabalho de equipe, como o de um jornal, você faz parcerias. Muitas para além da redação. Já que ficamos mais aqui do que em nossas casas. E já que jornalistas gostam de conversar com jornalistas, o chope acaba estendendo as companhias.
Bom... Esta semana, o jornal sofreu uma baixa. Uma forte baixa. Um profissional, que não tem nenhuma cara de profissional, mas sim de um poeta em busca de inspirações. Mas um PUTA profissional. Aquele que eu escolhi, desde o dia que pisei nesta redação, para me ensinar. E como eu dizia pra ele, para "perguntar se casa se escreve com Z"(Acredite, mesmo escrevendo e lendo todos os dias, você sempre terá dúvidas idiotas de português). Mas mais do que uma referência profissional diária, ele se tornou uma referência humana pra mim. Um ser humano lindo. Com o maior coração do mundo. Com ele, aprendi que preciso rever meus conceitos de vontade, de viver. Aprendi que as melhores poesias podem ser alegres. Aprendi que não se pergunta certas coisas (ou melhor... estou aprendendo). Aprendi que a gente se apaixona sem beijar na boca. Aprendi que amor é uma coisa só, e que por ele tudo vale.
Uma pena que aprender e exercer são coisas bem diferentes. Mas espero que, um dia, eu consiga levar a vida com toda esta maestria.
Querido, tenho certeza que nada nesta experiência profissional me acrescentou tanto, ou irá me acrescentar, como te conhecer. Obrigado por tudo (Sei que você não gosta de agradecimentos, mas insisto). Nunca esqueça que existe muito amor pra você por aqui. E vamos tomar um chope de vez enquando hein? Ah! E vê se atualiza o blog. Suas palavras alimentam minha alma e despertam o que há de melhor em mim.
Bom... Esta semana, o jornal sofreu uma baixa. Uma forte baixa. Um profissional, que não tem nenhuma cara de profissional, mas sim de um poeta em busca de inspirações. Mas um PUTA profissional. Aquele que eu escolhi, desde o dia que pisei nesta redação, para me ensinar. E como eu dizia pra ele, para "perguntar se casa se escreve com Z"(Acredite, mesmo escrevendo e lendo todos os dias, você sempre terá dúvidas idiotas de português). Mas mais do que uma referência profissional diária, ele se tornou uma referência humana pra mim. Um ser humano lindo. Com o maior coração do mundo. Com ele, aprendi que preciso rever meus conceitos de vontade, de viver. Aprendi que as melhores poesias podem ser alegres. Aprendi que não se pergunta certas coisas (ou melhor... estou aprendendo). Aprendi que a gente se apaixona sem beijar na boca. Aprendi que amor é uma coisa só, e que por ele tudo vale.
Uma pena que aprender e exercer são coisas bem diferentes. Mas espero que, um dia, eu consiga levar a vida com toda esta maestria.
Querido, tenho certeza que nada nesta experiência profissional me acrescentou tanto, ou irá me acrescentar, como te conhecer. Obrigado por tudo (Sei que você não gosta de agradecimentos, mas insisto). Nunca esqueça que existe muito amor pra você por aqui. E vamos tomar um chope de vez enquando hein? Ah! E vê se atualiza o blog. Suas palavras alimentam minha alma e despertam o que há de melhor em mim.
sábado, 18 de agosto de 2007
Definitivamente
Essa semana, passei uma das maiores provações da minha profissão. Entre tantas tragédias e injustiças assistidas de camarote dentro de uma redação, com certeza, o maior desafio é o tempo. As infinitas horas que a gente passa exercendo este ofício, nos tira o tempo para o resto. Afinal, a gente tem família, amigos, faculdade, cursos e lazer... E acima de tudo, PRECISAMOS disso pra sobreviver e conseguir realizar a nossa profissão com tranquilidade e toda a dedicação que ela nos pede.
Nessa última semana, eu fiz milagre. Quem vive dentro de uma redação sabe que conseguir fazer 3 ou 4 pautas do dia e mais uma dominical é quase uma mágica. Sem falar que para a dominical, foi preciso sair todos os dias às 22h para apura-la. Ou seja, chegar em casa quase 1h da manhã! Para estar de pé às 6h30 do dia seguinte e ir à faculdade. Conseguir ficar acordada durante as aulas... Em seguida, seguir para a redação. E assim foi, por toda a semana. Mas além do cansaço físico, o cansaço psicólogico foi o pior. Uma semana de estresses e esporros. Cobranças e cobranças. Grosserias e indelicadezas. Uma vez eu ouvi de um amigo:
- Anna, se quer ser jornalista precisa aprender que grosseria É jornalismo. Você sempre irá encontrar isso dentro de uma redação.
E ele estava certo. No outro dia ouvi:
- Anna, ser jornalista é isso: Não ter tempo para nada, ver o corpo pedir arrego e ter que fingir que não está ouvindo. Tem que dar conta.
E ele, mais uma vez, tinha razão.
E o meu corpo, realmente, pedia arrego na sexta-feira às 23h enquanto eu precisava terminar de bater a dominical.
Na manhã de sexta feira, eu chorei... Chorei ao abrir a pauta e ver que mais uma vez eu teria que dar conta, e que dessa vez eu achava que não conseguiria. Chorei porque questionei se realmente levava jeito. Se isso era vida... Chorei de pânico. Pânico por achar que eu não daria conta do meu sonho: ser uma jornalista.
Durante a tarde de sexta-feira, eu fui para a primeira pauta do dia. Acompanhei crianças que visitavam uma exposição com múmias. Conversei com elas e ouvi coisas incríveis de uma menina de 11 anos. Aprendi tudo sobre doenças do passado com uma museóloga. E não há nada como ganhar conhecimento. Fui à minha segunda pauta. Um projeto do Cirque de Soleil, que treina crianças carentes para uma apresentação ciquernse, na Praça Onze. Um cenário incrível: um circo capenga, crianças carentes, de todas as idades, sorrindo e se divertindo em meio as cambalhotas e estrelas. Fui à minha terceira pauta. Lenny Kravitz visita a Rocinha. O assessor do tráfico não nos permitiu subir. E respeitá-los é lei de sobrevivência na imprensa. Mas o fotógrafo, traumatizado por já ter sido encurralado na favela, me divertiu.
Ao entrar no carro, no caminho de volta para a redação, eu já estava renovada, não fisicamente, mas espiritualmente. E neste momento, eu tive certeza: definitivamente, eu amo muito o jornalismo. Amo muito o que escolhi fazer para o resto dos meus dias e nada mudará isso. Nem mesmo dias cheios de pautas imbecis, ou aturando grosserias, ou sem tempo de passar em casa, de dar um 'oi' para a família e os amigos. Nada paga... Nada paga o prazer de todos os dias conhecer pessoas, ouvi-las e aprender com elas. Captar emoções e aprender sobre a vida, sobre pessoas, contar histórias. Eu sou, definitivamente, uma jornalista. Não de diploma na mão, mas de coração, de alma. Em meio aos jornais, no sábado de plantão, a única certeza que tenho na vida é que ainda quero passar muitos sábados por aqui...
Nessa última semana, eu fiz milagre. Quem vive dentro de uma redação sabe que conseguir fazer 3 ou 4 pautas do dia e mais uma dominical é quase uma mágica. Sem falar que para a dominical, foi preciso sair todos os dias às 22h para apura-la. Ou seja, chegar em casa quase 1h da manhã! Para estar de pé às 6h30 do dia seguinte e ir à faculdade. Conseguir ficar acordada durante as aulas... Em seguida, seguir para a redação. E assim foi, por toda a semana. Mas além do cansaço físico, o cansaço psicólogico foi o pior. Uma semana de estresses e esporros. Cobranças e cobranças. Grosserias e indelicadezas. Uma vez eu ouvi de um amigo:
- Anna, se quer ser jornalista precisa aprender que grosseria É jornalismo. Você sempre irá encontrar isso dentro de uma redação.
E ele estava certo. No outro dia ouvi:
- Anna, ser jornalista é isso: Não ter tempo para nada, ver o corpo pedir arrego e ter que fingir que não está ouvindo. Tem que dar conta.
E ele, mais uma vez, tinha razão.
E o meu corpo, realmente, pedia arrego na sexta-feira às 23h enquanto eu precisava terminar de bater a dominical.
Na manhã de sexta feira, eu chorei... Chorei ao abrir a pauta e ver que mais uma vez eu teria que dar conta, e que dessa vez eu achava que não conseguiria. Chorei porque questionei se realmente levava jeito. Se isso era vida... Chorei de pânico. Pânico por achar que eu não daria conta do meu sonho: ser uma jornalista.
Durante a tarde de sexta-feira, eu fui para a primeira pauta do dia. Acompanhei crianças que visitavam uma exposição com múmias. Conversei com elas e ouvi coisas incríveis de uma menina de 11 anos. Aprendi tudo sobre doenças do passado com uma museóloga. E não há nada como ganhar conhecimento. Fui à minha segunda pauta. Um projeto do Cirque de Soleil, que treina crianças carentes para uma apresentação ciquernse, na Praça Onze. Um cenário incrível: um circo capenga, crianças carentes, de todas as idades, sorrindo e se divertindo em meio as cambalhotas e estrelas. Fui à minha terceira pauta. Lenny Kravitz visita a Rocinha. O assessor do tráfico não nos permitiu subir. E respeitá-los é lei de sobrevivência na imprensa. Mas o fotógrafo, traumatizado por já ter sido encurralado na favela, me divertiu.
Ao entrar no carro, no caminho de volta para a redação, eu já estava renovada, não fisicamente, mas espiritualmente. E neste momento, eu tive certeza: definitivamente, eu amo muito o jornalismo. Amo muito o que escolhi fazer para o resto dos meus dias e nada mudará isso. Nem mesmo dias cheios de pautas imbecis, ou aturando grosserias, ou sem tempo de passar em casa, de dar um 'oi' para a família e os amigos. Nada paga... Nada paga o prazer de todos os dias conhecer pessoas, ouvi-las e aprender com elas. Captar emoções e aprender sobre a vida, sobre pessoas, contar histórias. Eu sou, definitivamente, uma jornalista. Não de diploma na mão, mas de coração, de alma. Em meio aos jornais, no sábado de plantão, a única certeza que tenho na vida é que ainda quero passar muitos sábados por aqui...
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